As grávidas deste país foram acometidas, nos últimos tempos, pelo vírus do desleixo.Isso mesmo se depreende das palavras do director-geral da Saúde, Francisco George, reproduzidas pelo jornal Correio da Manhã, após uma mãe ter dado à luz numa ambulância dos Bombeiros Voluntários de Fátima, quando era transportada para o Hospital de Leiria.“Vão nascer mais crianças em ambulâncias se as mulheres não tiverem cuidado aos primeiros sinais de trabalho de parto e não tomarem medidas”, afirmou o director-geral explicando que “não há nenhuma criança que nasça em minutos” e que o “trabalho de parto não é instantâneo”.

Tem razão senhor director-geral. Nenhuma criança nasce em minutos, mas nasce nas duas horas que os bombeiros de Ervedosa do Douro têm que percorrer para levar as parturiantes para Vila Real, quando antes gastavam metade do tempo para chegar à Maternidade de Lamego. Ou nos mais de 60 minutos que os bombeiros de Resende levam até chegarem a Viseu ou a Vila Real.
Tem razão senhor director-geral. Desleixo, ou descuido para usar um eufemismo, é o substantivo que encaixa naquela mãe que, no dia 19 de Dezembro de 2006, teve um bebé, na sala de ecografias das consultas externas de obstectrícia do Hospital de Lamego, depois de ter passado diversas vezes pelas urgências do Centro Hospitalar de Vila Real - para onde são encaminhadas as grávidas depois de ter sido encerrada a maternidade do hospital de Lamego - com sintomas de contrações.
Tem razão senhor director-geral quando diz que, com o encerramento das maternidades, no quadro da reestruturação do sistema de saúde, vai “descer o número de mortes infantis e perinatais” e que dentro de cinco anos “200 crianças”, que é um número bem redondo, “vão deixar de morrer” e para isso o governo tem que “concentrar os especialistas e os equipamentos”.
As mães é que vão ter que “correr” e vencer os minutos a mais que agora as separam das maternidades e os bombeiros vão ter que se substituir aos profissionais de saúde, que andavam por aí espalhados e que o governo entendeu que estavam melhor concentrados, para ajudar a cumprir as metas anunciadas por si. FONTE: JORNAL DO CENTRO