O PCP de Viseu criticou hoje o PIDDAC de 2008 para o distrito, por considerar que "confirma a aposta do Governo no subdesenvolvimento", deixando de fora todas as 40 propostas apresentadas pelo grupo parlamentar do partido.
"Pelo caminho que as coisas levam é imperioso perguntar se no fim da legislatura do PS ainda haverá PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) para o distrito de Viseu", afirmou, em conferência de imprensa, o líder regional do PCP, João Abreu, lembrando que, em três anos, "perdeu de dotações directas 71 milhões de euros (56,5 por cento)".
Segundo João Abreu, com os 54 milhões de euros de investimento previstos no PIDDAC para 2008, o distrito "não só vê alargar-se o fosso em relação aos distritos do litoral, como diverge, pela negativa, de distritos do interior", como Guarda e Castelo Branco.
Considerou "escandaloso e imoral" que haja concelhos "sem qualquer dotação em PIDDAC em anos consecutivos, como sejam Penedono pelo terceiro ano, Moimenta da Beira e Tarouca pelo segundo" e outros com verbas "irrisórias".
Por ver "adiadas continuamente obras estruturantes e prioritárias para o distrito", a Direcção Regional de Viseu do PCP tinha apresentado propostas de obras que abrangiam os seus 24 concelhos ao grupo parlamentar, que as levou à discussão na especialidade do Orçamento de Estado, todas rejeitadas.
João Abreu exemplificou com a universidade pública em Viseu, "ligações rodoviárias condignas" de Resende e Cinfães à auto-estrada A24, o interface rodo/ferroviário de Mangualde, novas escolas e jardins de infância na cidade e periferia de Viseu e a aquisição do antigo sanatório da Bela Vista para instalação de uma pousada da juventude.
No entanto, "o grupo parlamentar do PS votou contra todas as propostas do PCP para o distrito", tendo sido seguido "pela direita de interesses, provando, mais uma vez, que no essencial da orientação política do Governo, que serve os grandes grupos económicos situados essencialmente no litoral, PS, PSD e CDS estão de acordo", lamentou.
O PIDDAC para o distrito de Viseu também já mereceu críticas dos responsáveis do PSD, que o consideraram "o pior de sempre" porque, na prática, "dos 24 concelhos, 12 é como se não tivessem dotação orçamental".
O deputado parlamentar e líder do PS, José Junqueiro, tem respondido às críticas argumentando que, "do bolo geral, o PIDDAC só espelha 30 a 40 por cento dos investimentos".
João Abreu disse aos jornalistas que a estratégia do PS consiste em "deixar bater no fundo o investimento para depois aparecer com um conjunto de obras que aos olhos das pessoas parecem transcendentes".
E considerou que anúncios feitos ultimamente em iniciativas do PS, como o arranque das obras do hospital de Lamego ou o comboio de alta velocidade a passar por Viseu "não passam de uma mistificação".
Quanto ao hospital de Lamego, cujas obras estão previstas arrancar em 2009, referiu que "já não se pode chamar àquilo um hospital, será mais um centro de saúde de terceira geração".
"E será que a linha de alta velocidade serve os interesses do concelho de Viseu e do distrito? Pensamos que não", afirmou o dirigente partidário, defendendo a ligação ferroviária à Linha da Beira Alta ao invés de um comboio que "deslumbra quando passa no concelho" a alta velocidade.
FONTE:Lusa